Guilherme Gondo

Data da entrevista: Junho/2017

LinkedIn: https://goo.gl/EWUFY9


Guilherme Gondo - Accenture

 

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Guilherme é um economista formado pela Unicamp em 2009 que passou por experiências diversas, cursos especialisantes aqui no Brasil, MBA no exterior e uma carreira na indústria de energia até chegar na Accenture. Hoje ele procura aprimorar seus conhecimentos  em diversas indústrias e conta como foi a sua trajetória desde a Unicamp. 

Formação: Economia (2005 - 2009)

Empresa: Accenture (mar.2017 - Atualmente)

Cargo Atual: Strategy Consultant

 

 

CCU: Conte um pouco sobre você na faculdade. Durante a graduação você participou da Econômica (empresa júnior da Economia) e da Atlética XV de Julho. Em cada uma dessas atividades extracurriculares, quais foram suas experiências? Quais delas você recomendaria?

Guilherme: São instituições acadêmicas com perfis bem diferentes. A Econômica na minha época tinha tido alguns projetos relevantes, mas estava em uma fase de estruturar a equipe e garantir que os alunos tivessem um perfil apropriado para entrar e a minha função era mais de consolidar a equipe. Para isso começamos a redigir estatutos, fazer eleições, promover campanhas, etc. eu também participei de um projeto que durou por mais de um ano e foi ela que me mostrou um pouco da carreira de consultoria. Mas eu senti que o meu perfil foi posto a prova na Atlética XV de Julho porque os eventos da atlética envolvem mais pessoas, para organizar eventos na Unicamp e organizar campeonatos demandou muita iniciativa e a capacidade dos membros deve ser maior e eu digo que ambas as experiências foram complementares porque eu tive essa noção de como uma empresa funciona, sua hierarquia e organização, estruturação de projetos e na outra me deu uma capacidade de execução dessas tarefas. E como disse anteriormente, são atividades complementares e faz parte que o aluno tenha o discernimento e capacidade de vivenciar isso para proporcionar uma experiência completa.

 

CCU: Logo depois que você se formou na Unicamp, você ingressou na Fundação Getulio Vargas (FGV), em Administração de empresas e logo depois, em 2013, ingressou na University of Pittsburgh em Pensilvania, você consegue diferenciar todas as suas experiências?

Guilherme: Nos dois últimos anos da faculdade eu estagiei na Bosch e ao final do curso eu tive a oportunidade de passar em um processo de trainee na AES Brasil em São Paulo, então eu decidi vir para AES. O viés de trabalhar como trainee é conseguir trabalhar com aquilo que a faculdade não me deu que foi uma visão mais técnica, crítica e histórica sobre a econômica, e por isso eu decidi fazer uma pós-graduação na FGV para ter essa visão de negócios. A minha carreira como trainee, que durou dois anos, o que exigia de mim e o que eu precisava para dar o próximo passo na minha carreira tinham bastante a ver com o que eu esperava de uma pós-graduação em administração, porque tinha mais essa questão da gestão que eu não vi muito na faculdade.

Sobre a Universidade de Pittsburgh: Eu fui convidado a participar do programa de talentos da AES Brasil, inclusive fui convidado para trabalhar na matriz nos Estados Unidos por um período, e como parte desse desenvolvimento de talento a empresa patrocinou um curso sobre liderança executiva e durou cerca pouco mais de um ano de duração.

 

CCU: Você também realizou um MBA na INSEAD, na França. Como foi essa experiência e você acredita que esse foi o diferencial para você ser contratado pela Accenture?

Guilherme: Eu acredito que sim porque em consultoria você tem dois momentos na carreira: entra como Business Analyist ou como Associate que é após o MBA, eu penso que 90% de entrar na carreira de consultor de novo são depois do MBA. E a experiência na INSEAD foi fantástica, é como se tudo fosse diferente neste ano da minha vida, é um ano super intenso com contatos com pessoas do mundo inteiro, muitas experiências de participação em casos e estudos, empreendedorismo e também muito estudo técnico, de finanças, etc. e foi fenomenal, eu considero isso um divisor de águas na minha vida.

 

CCU: Antes de entrar na Accenture, você trabalhou por quase 6 anos na AES Brasil, o qual você liderava analistas financeiros no seu time, o que te fez querer mudar dessa empresa e ir para Accenture?

Guilherme: Essa oportunidade de ingressar na área de trainee foi muito boa, porque você tem metas de gestão de projetos, metas de entregas, etc. possui uma regra um pouco acima de um estágio, por exemplo, a companhia está interessada no seu desenvolvimento, você tem oportunidade de capacitação que em outros casos não é possível conseguir sozinho, eu acho que foi uma excelente forma de começar uma carreira e depois fui contratado e fiquei por mais 4 anos, foi uma carreira muito acelerada essa é a verdade, porque eu saí no final de 2015 já como gerente e sendo preparado para a área de diretoria e a jornada de gerenciar um grupo de pessoas, isso te ensina muito a aperfeiçoar suas soft skills, que são suas habilidades interpessoais e essa experiência de gestão de pessoas foi bastante importante pra mim, foi o grande aprendizado que eu tive na minha carreira e ao mesmo tempo foi um setor muito difícil por ser o setor de energia e eu tinha que fazer muitas entregas para criar valor para a companhia, sem isso eu não teria recebido o auxílio e as oportunidades de crescimento que eu tive.

A minha decisão de mudar de indústria além de ter feito o MBA, é que com o tempo se você não se submete a experiências novas o seu universo fica muito restrito, você se torna um profissional de uma indústria só, o mercado te vê dessa forma também e fica meio difícil de tentar alguma área nova se eu ficasse por lá muito mais tempo, e pra ser sincero eu quis me colocar à prova de tudo o que eu aprendi sobre consultoria no MBA e eu queria buscar algo que me motivasse ainda mais, que me ‘brilhasse os olhos’.

 

CCU: Você foi admitido na Accenture como Strategy Consultant. Como você avalia a sua carreira até esse momento?

Guilherme: Eu fiz uma trilha de carreira muito consistente. Antes do MBA eu tinha acabado de completar 30 anos, antes disso eu trabalhei numa grande indústria, geri pessoas, aprendi como uma empresa funciona, geri processos dessa empresa e eu trabalhei fora por essa empresa, então eu acho que consegui desenvolver competências corporativas que capacitaram bastante para eu estar nesse momento que eu estou hoje. Exige muito relacionamento com as pessoas, entregas de material, comprometimento para entregar documentos importantes, pois você não pode falar qualquer coisa, tem fazer análises para ter consistência naquilo que você está falando. A vantagem da carreira de consultoria é poder trabalhar para inúmeras indústrias, com isso você vai analisando se você quer continuar naquela área ou tentar alguma coisa nova também, além de aprender muito e de forma efetiva, e essa foi a combinação perfeita.

 

CCU: A accenture é uma empresa que atende diversas áreas no mercado (Indústria, Comunicação, Saúde e Serviços Públicos), quando o funcionário é alocado para trabalhar em alguma dessas áreas eles fornecem treinamentos internos e externos?

Guilherme: No geral, como a Accenture é uma empresa de consultoria estratégica que compete com outras indústrias do mesmo conceito (McKinsey, BCG, AtKearney, Bain, etc.) tudo vai depender da sua senioridade e experiência, por exemplo os níveis iniciais de carreira como analista e consultor você é ‘stafiado’ que é um termo dos consultores, você está disponível para trabalhar em um projeto e normalmente é em uma área que você nunca trabalhou antes. E a troca de informações dentro da companhia é muito grande, a quantidade de matérias também é imensa e a consultoria vai fazer você aprender tudo sobre ela seja por um curso fora, treinamentos on-line, sessões periódicas com algum gerente ou expert da área.

 

CCU: Você já participou de quantos projetos até agora?

Guilherme: Como eu entrei na companhia em Março desse ano, eu fui designado apenas para dois projetos: um de relacionado à área da Educação e outro na área Financeira

 

CCU: Que mensagem você gostaria de mandar para quem está se preparando para os processos seletivos?

Guilherme: A mensagem que eu gostaria de passar está relacionada ao ‘Praticar’, não é fácil participar de um processo seletivo de consultoria e eu particularmente considero o tipo de entrevista mais difícil que tem, por isso é necessário muita prática. Então quem tem interesse em entrar em uma firma de consultoria é muito importante praticar cases com colegas, fazer mock interviews, buscar materiais e recursos de consultores, isso ajuda a entender como cada consultoria gosta dos resultados abordados e a repetição desses exercícios obviamente, prática, prática e muita prática.

E não escolher essa carreira por influência, eu acho que se você quer muito vá para cima, e não fique frustrado por não conseguir e optar por outra área, tente de novo depois. Existem muitas outras formas de ingressar na carreira, eu falo por mim que entrei depois de uma carreira consolidada na área de energia.

 

CCU: Você gostaria de adicionar mais algum ponto?

Guilherme: Eu como recém-chegado na Accenture posso garantir que a carreira é muito importante e essa interação com as oportunidades das empresas juniores tem sobre essa área são muito importantes e essenciais para o ingresso na área, minha dica é praticar os cases de várias consultorias e utilizem essa chance dentro da universidade para ter contato com essas indústrias e aos processos seletivos.


 Entrevista: Redação CCU