Daniel Wada

Data da entrevista: Junho/2016

LinkedIn: https://goo.gl/PX3h3E 


 

Daniel Wada - ADVISIA OC&C Strategy Consultants

Daniel Wada é um engenheiro de alimentos formado pela Unicamp em 1999 e que encontrou na consultoria uma carreira em que ele poderia potencializar sua vontade de estar sempre aprendendo. Daniel passou por três empresas de consultoria e algumas empresas fora da área. Hoje é sócio da ADVISIA OC&C Strategy Consultants.

 

Formação: Engenheiro de Alimentos (1994 - 1999)

Empresa: ADVISIA OC&C Strategy Consultants (2012 - Até o momento)

Cargo Atual: Sócio

 
 

CCU: Para começar, tratarei um pouco de suas experiências na Universidade. Durante a graduação você participou de alguma atividade extracurricular? Como foi a sua experiência?

Daniel: Fui conselheiro do GEPEA e fiz iniciação científica relacionada a área de engenharia de alimentos, pelo DEPAN. No GEPEA, tendo experiência de uma “mini consultoria” tive uma exposição inicial aos "skills" da área. A iniciação foi boa para aprender a metodologia de pesquisa, documentação e bibliografia, assim como estreitar contatos com professores.

 

CCU: Esse ano adentramos ao novo campus da UNICAMP, localizado em limeira e realizamos o primeiro Prep. Quase não obtivemos adesão de estudantes do curso de administração. Na área de consultoria você costuma ver estudantes provindos de cursos de humanas ou é predominante os com formação em exatas?

Daniel: Na área de consultoria estratégica a grande maioria é formada por engenheiros, pois exige muito o perfil analítico. No processo seletivo a primeira parte é uma prova analítica, então normalmente a maioria que passa é engenheiro. São provas quantitativas, mesmo em outras faculdades como FGV, FEA-USP, etc, poucos passam pela primeira fase.

 

CCU: Você fez o MBA quando estava na Booz Allen, correto? O que te levou a tomar essa decisão? E a empresa arcou com as despesas?

Daniel: Sim, na Universidade de Columbia, Nova York. Fazia parte do plano de carreira. Em consultoria estratégica, você começa como analista e após 2 ou 3 anos faz o MBA, retornando como associate. Quase todos possuem o MBA. Em consultorias estratégicas tem a cultura do "up or out", não sei se ainda se mantém. Caso em 3 anos e meio você não entrasse em uma top school (ex. Columbia, MIT, Stanford, Harvard, etc), você estaria fora da carreira.

Aqui na ADVISIA somos mais flexíveis, não há uma obrigação.. As pessoas tem acesso a outras formas de desenvolvimento, como por exemplo o programa de ambassador, onde o consultor passa 6 meses trabalhando em um escritório no exterior.

 

CCU: Seu MBA foi sua primeira experiência no exterior? Qual foi a importância do MBA no andar da sua carreira?

Daniel: Não, na época da UNICAMP eu fiz um estágio na Inglaterra pelo IAESTE. O MBA foi importante em diversos aspectos. Desde a experiência de morar 2 anos fora, o contato com alunos do mundo inteiro e de todas as formações, etc. Tive a oportunidade de fazer um summer job no New York Times na área de planejamento estratégico.

Trabalhar com consultoria estratégica abre portas para diversos setores da indústria. Avancei em todos os processos que participei, credito isso a minha experiência na área. Obtive muitas "skills" como vivência de mercado, trabalhar em equipe e como reagir sob pressão que não vieram da época de faculdade. Percebo que diversas universidades/faculdades colocam os alunos em contato com o mercado durante o curso, enquanto a UNICAMP mantém o foco na formação teórica apenas (pelo menos era assim na época que estudei, não sei se mudou desde então).

 

CCU: Como você vê a sua rotina de trabalho hoje em dia, em comparação ao seu início dentro da consultoria? Como sócio você ainda participa dos projetos?

Daniel: Para te responder preciso enfatizar que não há rotina dentro de consultoria. Ela é muito dinâmica, são projetos de em média 3 meses. O começo é bastante intenso, se gosta de aprender precisa ler muito, conversar com as pessoas, por isso também tem uma carga horária grande. Demanda muita organização, disciplina e foco. O trabalho é demandante, mas muito da carga horária depende da pessoas (de novo, organização, disciplina e foco).

Mesmo sendo sócio ainda participo dos projetos, é uma característica da ADVISIA. Participo das reuniões (com clientes e com equipe do projeto), apresentações a clientes e tenho uma preocupação empresarial importante.

 

CCU: Você iniciou sua carreira na Yoki, como foi a sua ida para a área de consultoria? E o seu primeiro contato com ela? Já sabia o que esperar?

Daniel: Na verdade, foi meio sem querer. Eu gostava muito de trabalhar na Yoki, mas é uma questão de perfil de pessoa, eu gosto muito de aprender várias coisas e isso me levou para consultoria. Não conhecia direito a área, passei em alguns processos e escolhi a Booz Allen pelas pessoas que conheci durante o processo.

 

CCU:Após iniciar sua carreira em consultoria e passar sete anos na Booz Allen, você saiu da empresa e rumou ao Unibanco (hoje Itaú Unibanco). O que o levou a trabalhar em banco? O tempo em outra área foi determinante na hora da decisão de voltar para consultoria? Você trocou seu cargo na consultoria para ir direto à executivo no Itaú, como isso ocorreu?

Daniel: Como você disse, eu estava há sete anos na Booz Allen e resolvi que para minha formação seria importante uma experiência gerencial mais forte, vivenciar o lado do cliente. Foi uma experiência fantástica, aprendi muito e isso me ajudou a entender as preocupações de um executivo e o dia a dia. Foi uma fase da vida. Além disso, me ajudou a perceber que o que eu queria fazer durante a vida era consultoria mesmo.

Sobre o cargo, eu já era gerente na consultoria e possuía uma bagagem grande. Eu gosto da área, foi como eu disse, uma ótima experiência, mas resolvi voltar. Trabalhe com o que você gosta e terá sucesso, não direcione suas decisões somente pela remuneração. Se fizer escolhas somente pelo dinheiro, a probabilidade de ter sucesso duradouro é baixa.

 

CCU: Você voltou para consultoria e rapidamente se tornou sócio. Esse era o plano, ambição ou foi algo natural da área? Ainda dá pra manter um equilíbrio entre o social e o lado profissional?

Daniel: Foi algo natural, você tem que fazer o que gosta. Sua prioridade vai mudando ao longo da vida, mas o importante é fazer o que gosta e fazer escolhas equilibradas.

Acho que é um conceito errado achar que em consultoria você tem uma carga horária tão superior às outras áreas. Quando trabalhei no Unibanco, na área de planejamento, acompanhamento de resultados, produtos, etc, minhas áreas trabalhavam tanto quanto em consultoria. Tem que conseguir manter o equilíbrio, senão não é algo duradouro. Quando analiso candidatos eu procuro uma motivação intrínseca, o “brilho nos olhos”.

Nós somos muito empreendedores na ADVISIA, principalmente quando comparado com outras multinacionais e empresas grandes. Isso me motiva muito.

 

CCU: Dentro do clube de consultoria temos uma área destinada às mulheres, o CCU Women. Após tanto tempo na área, como você vê a posição da mulher dentro de consultoria estratégica?

Daniel: Consultoria estratégica ainda é majoritariamente masculina, Não é por preconceito, acho que é consequência de uma porção de fatores. Como eu falei, as prioridades individuais mudam ao longo da vida, e a demanda de consultoria é intensa. Entendo que as mulheres acabam enfrentando escolhas difíceis ao longo da vida e da carreira, e é algo que temos que tentar equilibrar.

Dito isso, é importante frisar que consultoria estratégica é bastante meritocrática. Existem oportunidades para todos os interessados, e seu crescimento depende basicamente da sua performance.

 

CCU: A ADVISIA costuma aplicar processo seletivo em quais faculdades? Como é o processo da sua empresa e o que você poderia dizer aos interessados sobre a empresa?

Daniel: Nós aplicamos na UNICAMP, ITA, USP e São Carlos (federal e USP). Damos muito valor para habilidades analíticas e o business sense do candidato. Porém, mesmo para candidatos que têm perfil muito bom para consultoria estratégica, as entrevistas buscam o “fit”, no fundo buscam avaliar se a ADVISIA é um bom lugar para o candidato (e vice-versa).

Por exemplo, sou também entrevistador de candidatos para MBA de Columbia, e às vezes deparo com candidatos fantásticos, com ótimos currículos, mas que são rejeitados por uma questão de perfil, “fit”.

Na ADVISIA nós somos pouco hierárquicos, mesmo os estagiários têm contato constante com os sócios. A opinião deles é tão importante tanto quanto a dos sócios em uma discussão interna.

Temos uma preocupação constante em desenvolvimento das pessoas, desde o processo de mentorship a treinamentos formais e alocação de projetos.

 

CCU: Você saiu da área pela Booz Allen e voltou por outra empresa, como foi a recepção na volta a área? Como se deu a escolha pela BCG?

Daniel: No meu retorno para consultoria acabei indo para o BCG quase que naturalmente, o mercado é bem fluido. Em consultoria estratégica você acaba tendo uma relação com muitas pessoas do setor. Fui para a ADVISIA da mesma forma.

Em consultoria estratégica não há problemas em trabalhar com concorrente ou sair e voltar para área, é uma experiência diferente.

 

CCU: Estamos iniciando o trabalho do Clube de Consultoria em Limeira. Como você atrairia pessoas da área de administração, ciências econômicas e de formações parecidas para trabalhar com consultoria?

Daniel: A exposição a diversos tipos de aprendizado me parece o ponto mais importante. A possibilidade de viajar pelo mundo e ter novas experiências também é muito atrativa. Acho também que ter acesso a diversos problemas, indústrias, equipes multidisciplinares e ver estratégias diferentes. São problemas bem estratégicos, para quem gosta é um atrativo enorme.

Em consultoria estratégica a parte da meritocracia deveria ser um fator importante, não há politicagem, depende apenas da sua performance para crescer na carreira. Em consultoria estratégica, e especialmente na ADVISIA, temos um alinhamento perfeito de incentivos, não existe competição interna, todos queremos desenvolver os membros da equipe. Ou seja, cada um se ajuda para melhorar / facilitar o trabalho do outro. Temos um ótimo ambiente de aprendizado e desenvolvimento.

Provavelmente não iremos dividir os processos entre Limeira e Campinas, mas tentem levar os alunos para o processo. Temos dois estagiários na UNICAMP, o Lucas Cortez e Elisa Pereira, caso queiram entrar em contato para obter mais informações da empresa.


 Entrevista: Redação CCU