Paula Martinelli

Data da entrevista: Novembro/2016

LinkedIn: https://goo.gl/pvGqgw


Paula Martinelli – BCG

Paula Martinelli é graduada em Engenharia de Alimentos pela Unicamp desde 2006. Passou por indútrias, diversas empresas e duas consultorias: Monitor (hoje Monitor Deloitte) e BCG. Paula fez seu MBA na Filadélfia e agora está em Londres. Mesmo escolhendo sair da área de consultoria, ela nos conta como foram suas experiências na carreira.

Formação: Engenheira de Alimentos (2001 - 2006)

Empresa: BCG (2014 - 2016)

Último Cargo em Consultoria: Consultant (2014 - 2016)

 

CCU: Durante o período acadêmico você fez parte do GEPEA e fez uma iniciação científica. Como foram essas experiências?

Paula: Durante a graduação fiz um projeto de pesquisa de um ano e meio na área de engenharia. Apesar de gostar muito de pesquisa, sempre achei um trabalho muito solitário. Já o GEPEA para mim abriu um pouco a perspectiva do que é trabalhar com engenharia, abrindo um pouco também a possibilidade de um engenheiro ser administrador. Eu nunca fiz parte dos setores do GEPEA que trabalhavam nas áreas técnicas de Engenharia de Alimentos. Eu fui da presidência e do terceiro setor, que eu ajudei a abrir.

 

CCU: Ainda durante a sua graduação, você fez um intercâmbio na França. Como foi a sua experiência no país?

Paula: Entrei em Engenharia de Alimentos em 2001 e me formei em 2006. Durante a graduação fiz parte de um programa de intercâmbio da Engenharia Elétrica (porque na época não tinha na Engenharia de Alimentos) em que os alunos em seu último ano tinham a oportunidade de ir pra França ou pra Alemanha, e eu acabei fazendo um intercâmbio na École Centrale de Lyon.

Esse período que passei na França foi um divisor de águas para mim porque por mais que a Unicamp seja um ambiente de comunidade em que você pode ter muitos amigos dos mais diferentes cursos e engenharias, é difícil você profissionalmente abrir a cabeça. Indo para lá você de certa forma é obrigado a abrir sua cabeça para as mais diversas áreas de atuação, além da indústria.

 

CCU: Você indica alguma atividade acadêmica para quem ainda está na graduação?

Paula: Eu indico o intercâmbio. Não só pela experiência e o crescimento que está associado, mas algumas consultorias, como o BCG, levam o intercâmbio muito em consideração no processo seletivo. Além disso, também indico fazer um estágio antes do último ano de faculdade, sem deixar a graduação de lado, claro.

 

CCU: Entre 2011 e 2013 você fez cursos na Filadélfia. Quais foram esses cursos? Você acha que adquiriu alguma habilidade específica com eles?

Paula: Durante os dois anos na Filadélfia fazendo meu MBA, descobri Venture Capital – fundos de investimento para novas empresas de pequeno porte, que indicam um alto risco, mas um retorno muito expressivo - o que me chamou muito a atenção, já que gosto muito da área de inovação. Fiz então estágios em Venture Capital e na área de saúde, tanto nos EUA quanto no Brasil.

 

CCU: Como você avaliaria a necessidade em ser fluente em outras línguas além do inglês?

Paula: Eu tenho como hobby aprender outras línguas, me sinto à vontade em estar em um lugar e entender o que as pessoas estão falando. Porém acho fundamental falar inglês e espanhol. Não saber essas duas línguas te levam a perder muitas oportunidades.

 

CCU: Você começou sua carreira na sua área de formação, como engenheira de alimentos. O que te levou a trocar sua área de graduação pela de consultoria?

Paula: Durante o meu intercâmbio na França fiz um estágio em engenharia pura. A partir daquele ponto já soube que não queria atuar na área.

Depois de entender um pouco sobre o G-MAT por uma amiga, fui em uma palestra da Bain & Co seguida de uma prova, e foi então que tive o meu primeiro contato com a carreira. Depois de passar por essa prova, comecei a me envolver mais e pesquisar sobre a carreira e decidi que queria trabalhar com consultoria.

 

CCU: Como foram as suas experiências com trabalhos voluntários e causas sociais? Você indicaria a alguém para também ser participativo socialmente?

Paula: Desde a Unicamp me envolvi com causas sociais. Começando no GEPEA, depois de abrir o terceiro setor, fizemos um trabalho com duas escolas da periferia de Barão Geraldo, em parceria com o CEAGESP. Nós receberíamos toda semana um carregamento de frutas que não seriam utilizadas. Essas frutas seriam então levadas às escolas e as mães as usariam para fazer compotas para vendermos.

Quando estava na Monitor ajudei algumas fundações. Uma delas foi a fundação Julita. Uma fundação assistencialista no Morumbi. Eu colaborava com mais três gestores na elaboração de um modelo de governância. Depois disso resolvi ajudar de maneira mais operacional e fui professora de matemática em um projeto que se chama EJA – Educação para Jovens Adultos.

Quando eu estava no BCG fiz parte do Yunus Social Business, fundado por duas mulheres do BCG, que seleciona empresas que tem como função impacto social e que não dependem de caridade, e preparava programas de aceleração. Eu coordenava os consultores que queriam ajudar empresas. Agora em Londres eu ajudo dois osteopatas que querem abrir uma clínica popular para tratamento de quem tem dores crônicas.

Eu acho que ser participativo em causas sociais e voluntariado é como uma obrigação. Trabalhos voluntários são bem vistos quando você tem objetivo de conseguir um MBA, apesar de não ser essencial. Mas independente disso e de crescimento profissional ou pessoal, vejo que se engajar nesse tipo de atividade é uma obrigação como cidadão.

 

CCU: Você pode falar um pouco das experiências que você passou desde que você entrou em consultoria?

Paula: Sem conseguir passar na entrevista com o sócio da Bain, e com uma proposta da consultoria da Nielsen em mãos, uma amiga, que passou na até então Monitor - que na época era do tamanho da A.T. Kearney no Brasil – mandou meu currículo, já que eles estavam precisando de pessoal. Em uma semana eu fiz a prova e todas as entrevistas e recebi uma proposta da atual Monitor Deloitte, fora de ciclo.

Comecei então minha carreira na Monitor, como estagiária. Passava o dia todo na empresa por três vezes por semana, durante seis meses. Em junho de 2006 recebi a proposta para trabalhar como full-time e fiquei na empresa até o final de 2009. Durante meu tempo na empresa fiz projetos em países como México e Chile.

Durante esse meu tempo na Monitor passei por aquele clássico período de não saber nada sobre finanças e business, então tive um aprendizado imenso. Portanto, para mim, consultoria é uma ótima carreira para se começar, se você sabe que não quer engenharia pura e busca uma carreira de gestão.

Depois do tempo que passei nos Estados Unidos fazendo MBA, prestei e entrei no BCG. Passei dois anos e meio na empresa e os últimos meses fiquei em Londres pelo BCG.

 

CCU: Como era a sua rotina? Quais diferenças você notava em relação ao início da sua carreira?

Paula: No começo da carreira, como estagiária, apesar de estar em meus projetos fixos, eu trabalhava três dias na semana e minha carga horária não era pesada. Aprendi muito nessa etapa, porque tudo era muito diferente e energizante, então as horas de trabalho não me incomodavam.

Quando me formei e me tornei full-time, fiz os mais diversos projetos. É uma rotina completamente diferente da dos seus amigos, você tem outro ritmo. Enquanto eles estão saindo às 17h, você está começando o seu trabalho, porque acabaram suas entrevistas e ainda tem algumas horas de trabalho pelo dia. É uma rotina cansativa, mas não é nenhum absurdo.

A rotina nos diferentes estágios da carreira não muda muito. A mudanças só começam a aparecer quando você se torna gerente de projeto, de seis a sete anos depois. Isso porque no cargo de gerência você consegue ter mais previsibilidade do trabalho e sua rotina muda.

 

CCU: Como foi se adaptar pressão do cargo de consultor?

Paula: A pressão é grande. Você é avaliado a cada projeto, tem uma nota e de certa forma você está diretamente competindo com seus amigos. Então é um ambiente de muita pressão.

Mas se você é uma pessoa confiante, você vai se dar bem porque você vai lidar bem com essas avaliações. Mas isso também depende da sua sorte no começo. Se você logo no primeiro projeto ir bem, isso vai te impulsionar. Se você tiver algum tropeço ou não ir tão bem, você vai sentir mais a pressão. Então o seu desempenho em si não quer dizer muito que você é melhor ou pior do que alguém.

 

CCU: Conte um pouco sobre as peculiaridades da BCG. Como foi trabalhar em uma empresa considerada Big 3 do setor?

Paula: No BCG a rotina foi semelhante à Monitor. Mas o BCG toma muito mais conta dos seus funcionários. Justamente pelo porte da empresa, ela é genuinamente preocupada em como estão indo seus funcionários e seus projetos e tem uma ótima estrutura para conseguir acompanhar bem isso. Isso é um elemento bem diferenciado.

 

CCU: Você tem alguma dica ou sugestão para quem está prestando processos seletivos pra consultoria?

Paula: Eu acho que as pessoas tinham que conversar mais com o consultor. Além de ficar estudando cases e focar só nisso, seria ótimo se as pessoas pudessem ter um one-on-one, nem que sejam 15 minutos. Outra coisa é ter consciência de que tem muita gente prestando consultoria. É preciso se preparar bem e em todos os aspectos do processo, e isso ficou muito claro nos eventos da Unicamp que participei e vi a quantidade de pessoas interessadas.


Entrevista: Redação CCU