Fernanda Zanetti

Data da entrevista: Julho/2016

LinkedIn: https://goo.gl/WT6xzy


 

Maria Fernanda Zanetti de Souza - BCG

http://staffpicture.bcg.com/staffpicture/Default.aspx?hrid=278622&width=98&cache=100Fernanda Zanetti é Economista formada pela Unicamp. Durante a graduação fez Iniciação Científica, participou de Empresa Júnior e fez graduação sanduíche na University of Texas at Austin. Começou sua carreira na consultoria McKinsey em 2005, liderou uma equipe de inteligência estratégica no HSBC Brasil e em 2011 partiu para fazer MBA na Duke University. Após seu MBA, retornou para consultoria, desta vez no BCG. Mãe recentemente, Fernanda diz continuar animada para novos desafios no BCG.

 

Formação: Economista - Unicamp (2000 - 2004)

Empresa: BCG (2013 - Presente)

Cargo Atual: Líder de Projeto (2013 - Presente)

 
 

 

CCU: Conte um pouco da sua trajetória acadêmica, suas experiências dentro e fora da Unicamp.

Fernanda: Durante a graduação, participei da Empresa Junior Economica como Gerente de Marketing, fiz 2 anos de iniciação científica no Centro de Conjuntura do Instituto de Economia, tive uma bolsa de graduação sanduíche na University of Texas at Austin (uma oportunidade absolutamente ímpar em momento em que quase não havia incentivo ao intercâmbio cultural) e fui monitora/aluna do Curso de Extensão no Setor Bancário do Instituto de Economia. Todas essas experiências foram extremamente ricas. A Empresa Junior me ajudou a optar por seguir uma carreira no mercado em vez de ficar na academia. No Centro de Conjuntura aprendi muito mais sobre economia do que em muitas aulas. A graduação sanduíche despertou meu interesse por obter meu MBA nos EUA. E o curso de extensão me equipou para entender o funcionamento da indústria bancária, que acabou sendo a indústria em que foquei nos primeiros anos da minha carreira.

 

CCU: Você recomendaria alguma dessas atividades a quem está na universidade?

Fernanda: Não sugeriria nenhuma dessas atividades em específico, afinal isso era o que existia disponível na minha época. O que sim recomendo é que os alunos aproveitem tudo o que esteja ao seu alcance durante a graduação e se exponham a experiências diversas (acadêmicas, profissionais, esportivas, culturais, sociais etc.) pois é experimentando a diversidade que você descobre o que você mais gosta e o que caminho quer seguir após a graduação.

 

CCU: Com relação ao estágio, você começou apenas no seu último semestre dentro da graduação. Por que optou por estagiar apenas no final? Conte um pouco dessa sua experiência.

Fernanda: Honestamente, não sugeriria que outros alunos fizessem o que eu fiz... Só fiz isso para conseguir me formar mais rápido. A situação era: quando voltei da graduação sanduíche eu poderia optar por pegar muitas matérias (correndo o risco de nem fazer estágio), mas me formar em 6 meses ou pegar poucas matérias e me formar em um ano e meio. Optei pela primeira opção, o que me deixou muito sobrecarregada com aulas e monografia. Mas mesmo assim eu achava fundamental fazer um estágio antes de me formar e encarei colocar na minha agenda de último semestre de graduação idas diárias a São Paulo para estagiar na Cia Brasileira de Liquidação e Custódia da Bovespa.

 

CCU: Você começou sua carreira dentro do mercado financeiro. Como foi o seu primeiro contato com a carreira de consultoria? E o que a levou a trocar de área?

Fernanda: Os alunos de hoje têm um acesso muito mais amplo às diferentes carreiras do que havia na minha época. Um aluno hoje dificilmente será bem sucedido em um processo seletivo de consultoria fazendo o que fazíamos no passado. Meu primeiro contato com consultoria foi através de 2 amigos do Instituto de Economia que estavam participando do processo da McKinsey - um para business analyst (carreira de consultor) e outro para research analyst (carreira de researcher). Conversando com esses amigos, identifiquei que eu teria um ótimo fit para a carreira de researcher e graças a um "empurrãozinho" básico do meu namorado (hoje meu marido) decidi aplicar. Fiz a provinha sem nunca ter ouvido falar em GMAT e passei por 6 case interviews sem nunca ter treinado um case sequer - pasmem, mas isso era comum na época! A cada entrevista aprendia e me apaixonava mais sobre como seria trabalhar em consultoria - e quando a oferta chegou já não tinha nenhuma dúvida de que deveria tomar a oportunidade de ao menos experimentar essa oportunidade que pareceu cada vez mais fantástica a cada entrevista.

 

CCU: Após iniciar sua carreira em consultoria na McKinsey, você passou três anos fora, fez MBA e trabalhou no HSBC até regressar e entrar no BCG. O que te levou a trabalhar em banco? Como esta experiência te agregou na sua volta à consultoria?

Fernanda: Ingressei na área de research da McKinsey inicialmente como "generalista", cobrindo várias indústrias e, sobretudo, macroeconomia. Mas em pouco tempo migrei para equipe dedicada aos clientes do setor financeiro e foi lá onde passei a maior parte dos meus tempos de McKinsey. Eu achava o setor financeiro tão interessante que tinha muita vontade de experimentar trabalhar em um grande banco. E por isso não hesitei quando surgiu a oportunidade de me tornar gerente sênior na diretoria de planejamento estratégico do HSBC. Essa foi uma experiência extremamente rica em diversas dimensões. Aprendi a ser parte da alta gestão de uma grande organização internacional, aprendi a liderar equipes com pessoas de perfil mais diverso do que conheci na consultoria, vi "por dentro" o funcionamento de todas as áreas de um grande banco, experimentei a vida fora da consultoria... e a lista segue. De volta a consultoria, essa bagagem reforçou minha capacidade de entender os problemas dos clientes, pensar soluções práticas e identificar caminhos para implementar soluções.

 

CCU: Você é extremamente bem sucedida na área de consultoria. Agora com um bebê, a área ainda se mantém atrativa, dada a carga horária e exigências de uma profissional do seu cargo? Ainda é possível manter um equilíbrio entre as vidas pessoal e profissional?

Fernanda: Acredito que é possível sim conciliar a vida de consultora e de mãe. Estou retornando em breve da licença maternidade e o plano é tentar fazer acontecer!

 

CCU: Como é a sua rotina? Quais diferenças você nota em relação ao início da sua carreira?

Fernanda: Minha rotina é não ter rotina... Depende muito do cliente, do time, do problema. Mas se tivesse que descrever um dia "ideal" seria: reunião de alinhamento com o time pela manhã, reuniões com o cliente e sócios ao longo do dia, retorno para o escritório do BCG ao final do dia onde reviso trabalho do time, produzo materiais e me preparo para reuniões/apresentações do dia seguinte. No início da carreira, o consultor faz muito menos reuniões/apresentações e muito mais análises que um gerente.

 

CCU: Qual é a sua visão quanto a política de remuneração de sua empresa atual, comparada a do mercado de Consultoria?

Fernanda: A remuneração é bastante competitiva versus outras consultorias e versus indústria. Nas posições iniciais (recém formados e pós MBA) pode haver alguma diferença nos pacotes das consultorias a depender das condições de mercado, mas nada que comprometa a atratividade da carreira. Honestamente, eu não decidiria entre consultoria e indústria ou entre uma consultoria ou outra com base na remuneração - os principais atrativos estão em outras dimensões.

 

CCU: Você pode dar algumas dicas do processo seletivo?

Fernanda: Pode parecer bastante básico, mas nem todo mundo se dá conta de que o primeiro passo é responder para si mesmo se consultoria realmente é o que você busca. O processo é exigente, a profissão é demandante. É uma super perda de tempo encarar tudo isso se não for algo que você realmente almeja. Uma vez tendo decidido por consultoria, é preciso ter dedicação e disciplina na preparação. A concorrência é muito grande e os candidatos de outras escolas preparam-se bastante. A Unicamp não pode ficar atrás! Os candidatos precisam fazer o melhor que podem na preparação para a família Unicamp continuar crescendo no BCG.

 

CCU: McKinsey e BCG, ambas da big 3 das consultorias. Para futuros consultores, como foi a experiência de começar dentro de uma das mais concorridas e importantes mundialmente? Agora no BCG em um cargo elevado, como você analisa sua passagem por ambas?

Fernanda: Sou muito feliz por ter tido oportunidade de trabalhar em empresas tão respeitadas mundialmente. Muito menos pelas instituições em si ou pelo branding, mas sim por todo aprendizado viabilizado pela combinação de um ambiente extremamente colaborativo com pessoas absolutamente brilhantes. As grandes consultorias são o lugar perfeito para quem busca ser desafiado todo tempo e tem apetite por estar sempre aprendendo algo novo ao longo de toda carreira. Não existe zona de conforto em consultoria. E falando assim até parece difícil, mas na verdade o ambiente é tão bacana e as pessoas com quem você interage são tão inteligentes e interessantes que os desafios tornam-se leves, divertidos.


Entrevista: Redação CCU