João Mendes

Data da entrevista: Julho/2016

LinkedIn: https://goo.gl/dWwa4c


 

 João Gabriel Mafra Mendes - BCG 

João Gabriel Mafra Mendes é Engenheiro da Computação formado pela Unicamp em 2014, tendo sido diretor da empresa júnior Conpec e também presidente do Núcleo de Empresas Juniores da Unicamp. Ao final do curso na Unicamp, optou pela carreira em consultoria e fez estágio no BCG, onde hoje atua como Associate.

 

Formação: Engenheiro da Computação (2010 - 2014)

Empresa: BCG (2014 - Até o momento)

Cargo Atual: Associate

 

 

CCU: Conte um pouco da sua trajetória acadêmica, qual curso você fez na Unicamp e quais as atividades extracurriculares? O que você recomenda para os alunos da Unicamp?

João: Entrei na Unicamp em 2010 na Engenharia de Computação e no mesmo ano entrei na Conpec [Consultoria, Projetos e Estudos em Computação]. Em 2011 atuei como Diretor de Marketing e em 2012 fui presidente do Núcleo das Empresas Juniores da Unicamp. 2013 foi então um ano de maior foco na graduação - foram ~34 créditos por semestre, sendo que no segundo semestre dediquei bastante tempo aos processos seletivos de consultoria.

Foi um timing bom para mim. As experiências da época da empresa júnior ainda estavam frescas e renderam assunto para quando o consultor perguntava o que eu fiz de interessante e quais desafios eu havia enfrentado. No meu caso o que tinha de interessante para contar era relativo ao período na empresa júnior, pois eu não tinha um histórico de notas impecáveis no top 10 da turma e, além disso, ao contrário da maioria dos candidatos, não fiz nenhum intercâmbio acadêmico. É importante você achar um ponto em que você acredite que se destaca.

Sem dúvida os maiores desafios foram durante minha gestão no Núcleo das Empresas Juniores. Um bom exemplo é a Talento, que é um evento sob responsabilidade do Núcleo. Em 2012 foi a primeira vez que realizamos o evento fora do ginásio da Unicamp, resultando em uma série de desafios que incluíram desde relacionamento com reitoria até a questão do custo e infraestrutura. Foi uma experiência bem completa, envolvendo desde liderança e gestão de equipe até aspectos mais técnicos de contabilidade. Como Núcleo você representa 18 empresas juniores da Unicamp perante a Universidade e a Federação. Tudo isso me ajudou na época a entender um pouco mais sobre o mercado e as alternativas de carreira que a Unicamp abre para seus alunos.

Acho que toda atividade extracurricular é válida e que qualquer um poderia e deveria se envolver com qualquer uma. Mas o importante é se envolver a fundo, assumir um cargo de liderança é um diferencial importante. Não importa se for atlética, centro acadêmico, empresa júnior ou clube de alguma modalidade esportiva, todos eles envolvem o desafio de ter a responsabilidade acadêmica e também ser comprometido com a organização. Isso por si só já é um aprendizado – saber conciliar temas paralelos é uma habilidade importante para a carreira.

Além disso, participar de entidades estudantis te permite conhecer muito mais pessoas, inclusive de outros cursos da universidade. Na Unicamp existe muita interação entre os cursos, e essas atividades extracurriculares são uma ótima oportunidade para você conhecer pessoas de outros cursos e expandir a sua rede de contatos. São essas pessoas que depois, querendo ou não, você vai reencontrar. E acredito que grande parte da riqueza de cursar uma universidade como a Unicamp está nisso.

 

CCU: Você tem alguma dica para os alunos da Unicamp que irão prestar o processo seletivo do BCG?

João: É importante ter alguma história boa para contar. Você tem que se destacar de alguma forma. Se você foi um dos primeiros da turma academicamente, ou se foi líder de alguma organização estudantil, se fez intercâmbio, se se envolveu em um projeto ou fez um estágio bacana em uma empresa, o importante é ter uma boa história. Também é importante não deixar o histórico escolar muito de lado, porque querendo ou não a gente olha isso. Não é o principal, mas é um dos fatores levados em conta.

Quanto à prova estilo GMAT é importante estudar, porque é bem difícil – nem tanto pela complexidade das questões, que são fáceis, mas sim pelo tempo que é muito limitado. É uma etapa que não deve ser subestimada e exige preparação.

 

CCU: Agora conte um pouco sobre como você descobriu a carreira de consultoria, por que escolheu essa área e como foi sua trajetória até agora no BCG.

João: Eu conheci a carreira de consultoria na época em que estava no Núcleo de Empresas Juniores da Unicamp, porque o Núcleo tem uma parceria com o BCG e eles participavam de alguns eventos que nós realizávamos. Um deles era o “Núcleo destaque”, que é uma competição de apresentação de casos das empresas juniores da Unicamp.

Sobre a minha carreira, eu apliquei no final de 2013, passei no BCG e comecei o estágio no ano seguinte. Recebi a oferta no meio de 2014 para voltar como Associate e me formei no final do ano, voltando em março de 2015 já como full-time. No começo tipicamente você não é especialista em nenhum tópico e acaba lidando com as mais diversas indústrias. Eu já trabalhei com estratégia e operação em diferentes indústrias, como linhas aéreas, telecomunicações e até mesmo químicos. Mesmo assim, naturalmente ainda existe muita coisa que eu ainda não vi. Fazer um projeto fora do país também é uma possibilidade que pretendo perseguir no futuro próximo.

Consultoria é uma carreira que oferece muita oportunidade que provavelmente eu não teria em outras carreiras. Hoje tenho convicção de que tomei a decisão certa de ir por este caminho. Quando você não sabe exatamente o que quer fazer, a oportunidade de fazer de tudo um pouco se torna bastante atrativa, e a consultoria oferece justamente isso. No meu caso, eu já conhecia algumas pessoas do BCG e me identificava com a cultura da empresa – foi o principal fator para que eu tomasse a decisão de ir para lá. Quando os candidatos vão prestar as várias consultorias, acredito que a cultura deve ser um dos fatores mais importantes a serem levados em consideração.

 

CCU: Como é a sua rotina de trabalho? Quais as diferenças que você nota do início da sua carreira até agora?

João: Acho que não mudou muito desde a minha época de estagiário. Eu era alocado num projeto e ia para o cliente trabalhar com o time. O BCG tem uma cultura de proteger bastante os estagiários porque eles precisam se formar, então eu tinha uma carga horária bastante controlada e era bastante flexível quanto a eventuais idas para Campinas para aulas, laboratórios e etc.

Depois quando voltei como Associate a rotina geralmente é de segunda a quinta no cliente e costumamos passar a sexta no escritório. Isso porque toda semana temos um treinamento (internos e externos), e acaba sendo importante também para encontrarmos as pessoas que trabalham no BCG mas estão em outros projetos.

 

CCU: É possível existir um equilíbrio saudável entre vida pessoal ou profissional na sua opinião?

João: Acho que sim. O BCG tem ferramentas para tentar balancear essa questão. Toda semana discutimos carga horária e estratégias que permitem ao time entregar o projeto com bom resultado, mas sem comprometer a vida pessoal, conseguindo um bom balanço entre os dois. Não é sempre que funciona, o projeto em consultoria tem sempre uma expectativa muito alta. Mas na maioria dos casos é possível ter sim uma experiência bem balanceada. E no BCG existe uma abertura muito grande para se discutir esse tema, que é tratado com alta prioridade.

 

CCU: Quais as suas expectativas da carreira daqui para frente?

João: Para mim a carreira em consultoria faz sentido, sempre gostei muito do trabalho e estou bastante motivado a continuar. É uma experiência desafiadora, mas o plano é seguir em frente. Pretendo fazer um MBA, mas não sei se agora - talvez eu decida esperar um pouco.


 Entrevista: Redação CCU