Leonardo Tamura

Data da entrevista: Novembro/2016

LinkedIn: https://goo.gl/rBfkaU


 

 

Leonardo Tamura - Berners Consulting

 

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Leonardo Tamura é um um engenheiro eletricista formado pela Unicamp em 2009 e que desde 2011 atua junto a uma consultoria boutique internacional de gestão, a Berners Consulting.

 

 

Formação: Engenheiro Eletricista (2004 - 2009)

Empresa: Berners Consulting (2011 - Até o momento)

Cargo Atual: Associate

 

 

 

CCU: Como pude ver, você é formado em Engenharia Elétrica na Unicamp. Conte um pouco da sua trajetória acadêmica e o que fez na graduação.

Leonardo: Ingressei na Unicamp em 2004, já trabalhando na indústria automotiva e em centros de P&D da região de Campinas e indo às aulas no período noturno. Nas férias de 2004 para 2005 tive minha primeira experiência internacional quando fiz um intercâmbio tipo Work&Travel para os EUA de 4 meses. Em 2007 fui para a Alemanha pelo programa da IAESTE fazer um semestre de estágio em um centro de pesquisas na região de Bonn.

 

CCU: Durante a graduação, você fez parte da Fórmula SAE 2008. Como foi a sua experiência? Você teve a oportunidade de trabalhar alguma competência ou habilidade?

Leonardo: Minha participação no Fórmula foi bem breve, de um ano só e com atuação bem limitada porque tive que priorizar trabalhar e me graduar, mas ainda assim foi bem interessante. Eu pude aprender muito como os outros membros que geralmente ficam por vários anos. As habilidades técnicas são mais um pano de fundo, como uma isca, porque esses projetos como o Fórmula desenvolvem nos membros habilidades de gerenciamento, liderança, organização e relacionamento.

 

CCU: Você fez parte de mais alguma atividade acadêmica (iniciação científica, intercâmbio, empresa júnior, etc)? Se sim, o que você tirou de proveito delas?

Leonardo: Infelizmente não, e se eu puder recomendar algo aqui é exatamente isso: que os alunos da Unicamp aproveitem ao máximo essas oportunidades. Eu tive pressa de ir para o mercado, mas o mercado sempre vai estar lá te esperando. Tem atividades que só esse ecossistema Unicamp, que o CCU faz parte, pode proporcionar na formação de um profissional.

 

CCU: Você recomendaria alguma atividade acadêmica para quem está na graduação agora?

Leonardo: Um estágio ou cursar disciplinas no exterior é fundamental, abre a cabeça e impõe desafios. Para quem já sabe o que quer fazer, como trabalhar em consultoria, envolver-se em atividades que desenvolvam competências valorizadas por esse mercado.

 

CCU:Como você decidiu fazer sua especialização em Engenharia de Software? E como você decidiu seguir em mestrado na ESPM? Como foi a experiência?

Leonardo: Meu primeiro ano já formado, em 2010, eu ainda não trabalhava em consultoria e eu estava trabalhando na área técnica com desenvolvimento de hardware e firmware. Para 2011 eu coloquei a meta de voltar a estudar, e a especialização em Eng. Software combinava gosto pessoal com carreira técnica e a empresa que eu trabalhava ajudou com os custos. As disciplinas foram em sua maioria ótimas, e o conhecimento adquirido é útil até hoje já que tecnologia da informação e software são tão centrais nos negócios. Também foi muito bom para expandir minha rede de contatos.

Já o mestrado em Administração na ESPM surgiu da necessidade de uma formação na área de administração e negócios e do desejo de dar aula. Eu já estava trabalhando com consultoria, e queria um MBA no exterior ou um mestrado acadêmico no Brasil. Optei pelo mestrado acadêmica porque encontrei um orientador que topou meu projeto que juntava negócios internacionais, estratégia e teorias de sistemas complexos.

 

CCU: Você chegou a cursar um MBA? Se sim, onde você cursou e como foi? Se não, ainda pretende cursar?

Leonardo: Não cursei MBA e hoje estou considerando um doutorado no exterior.

  

CCU: Você seguiu uma carreira diferente da sua área de graduação. Como foi seu primeiro contato com a consultoria de gestão?

Leonardo: Com consultoria em geral começou em 2009, meu último ano de graduação, pelos processos seletivos da McKinsey, Bain, BCG, Monitor, etc. Mas só fui começar a trabalhar com consultoria mesmo em 2011. Um amigo estava trabalhando na Berners, e eles estavam precisando de um Jr. para trabalhar com gerenciamento de portfólio de projetos, me candidatei e deu certo.

 

CCU: O que te fez mudar da sua área de graduação para a consultoria?

Leonardo: No final de 2010 minha carreira técnica estava evoluindo bem e o horizonte já era bem claro e o caminho para me tornar um especialista estava relativamente delineado. Por outro lado, eu queria ir mais perto do business e ver o que havia além da engenharia. Conversei com algumas pessoas mais experientes (amigos e parentes, basicamente) e um caminho que fez sentido na época foi ir para gerenciamento de projetos.

 

CCU: Você realizou trabalhos voluntários? Se sim, como foram? Você considera importante tanto no crescimento pessoal quanto profissional estar engajado em causas sociais?

Leonardo: Sim, tive três oportunidades: (1) um programa pontual no Itaú, (2) em uma associação de profissionais, o PMI e (3) um workshop com a Mecatron. O programa do Itaú era incentivar os alunos da rede pública que estavam terminando o ensino médio a continuar estudando por meio de histórias pessoais. Por duas noites eu fui para escolas de regiões carentes de São Paulo, aplicamos alguns exercícios pré-determinados e compartilhávamos nossas próprias experiências. Já com o PMI foi um voluntariado de alguns meses, onde organizei um evento de palestras e ajudei em algumas iniciativas mais pontuais relacionadas à organização do Capítulo São Paulo. Com a Mecatron fizemos um workshop sobre gestão estratégica e foi um bate papo com os membros tirando dúvidas.

Engajar-se não só em causas sociais, mas em voluntariado em geral é uma excelente escola, expande-se a rede de contatos, e é uma forma de retribuir para a sociedade e para sua profissão.

 

CCU: Você pode falar um pouco das experiências que você passou desde que entrou em consultoria?

Leonardo: Desde que entrei em consultoria tive a oportunidade de trabalhar em grandes empresas com faturamento acima de R$1bi nas indústrias de construção civil, engenharia, celulose, automotivo e real state. Em geral, atendíamos o corporativo desses clientes, então fiz projetos com as áreas que geralmente compõe a administração geral de grandes corporações: financeiro, controladoria, estratégia, planejamento, jurídico, RH, suprimentos, logística, TI, marketing, etc.  

 
 

CCU: Como é sua rotina? Quais diferenças você nota em relação ao início da sua carreira?

Leonardo: No início da carreira, você se foca em aprender (metodologias, padrões, técnicas, competências) e ajuda no delivery, trabalhando nos produtos do projeto e os artefatos que são necessários. Conforme você avança na carreira, você ainda participa do delivery mas também tem outras responsabilidades relacionadas a “building the business”: contribuir na formação de novos consultores, no intellectual property, no relacionamento com clientes, etc. A tendência é ter mais responsabilidades e mais trabalho, por outro lado você desenvolve competências que ajudam a digerir tudo isso.

 

CCU: Conte um pouco das peculiaridades da sua empresa. Como é trabalhar com consultoria de gestão?

Leonardo: Somos uma consultoria pequena e com foco em gerenciamento de projetos e processos. Devido ao nosso foco, como consultoria de gestão, a tese central é de que a forma como se organiza o trabalho a ser feito pode trazer alguma vantagem competitiva e ganho de desempenho. Em alguns projetos não só desenhamos os projetos/processos, mas também os implementamos/executamos. Então nosso toolbox conta com ferramentas de gestão de projetos e gestão de processos de negócio.

Devido ao nosso tamanho, temos poucos clientes, mas muito cativos. Isto é, podemos tanto manter uma agenda constante com eles ou sermos solicitados pontualmente várias vezes ao longo do ano. Isso facilita porque você nunca parte do zero, sempre tem uma contextualização/particularidades do seu cliente que você já está a ciente. A desvantagem é que o volume de sua receita é muito dependente de poucos clientes.

O Sócio fundador no Brasil é ex-consultor da A.T. Kearney e Booz Allen, então adotamos muitas práticas dessas grandes consultorias.

 

CCU: Como foi se adaptar a carga horária e a pressão do cargo de consultor?

Leonardo: Conforme você avança, o nível de trabalho e responsabilidade aumenta. Por outro lado, você também vai ficando mais competente em organizar sua agenda, priorizar, delegar. Eu, por exemplo, nem sempre preciso estar no cliente para estar trabalhando para ele, nem estar em nosso escritório para estar trabalhando para a nossa consultoria. A quantidade de trabalho é grande, e isso não é exclusividade de consultor. Cada vez mais pessoas levam o trabalho consigo para onde for, então ser competente com o tempo é mais uma habilidade que você irá desenvolver.

Com relação à pressão, ela decorre de estar envolvido em assuntos desafiadores e importantes, talvez problemáticos, envolvendo o C-level do cliente. Com o tempo você também aprende que isso só se torna um problema quando você falha em algum ponto, como na comunicação, no entendimento das expectativas, na alocação dos recursos e capacidades da equipe. Todas essas forças / requisitos / demandas criam uma certa pressão sobre a forma como você irá abordar o projeto/trabalho, como condições de contorno para resolver uma equação. Então, conforme você se desenvolve, você cria a capacidade de se atentar e perceber os sinais que surgem.

 

CCU: Você tem alguma sugestão ou dica para dar aos aspirantes à carreira de consultoria? Compartilhe conosco.

Leonardo: Eu vou supor aqui que existem diferentes caminhos como consultor (inclusive ter sua própria), mas as grandes consultorias estratégicas são o melhor caminho para se começar uma carreira e obter experiência. Nesse caso, eu sugiro preparar-se para os testes de raciocínio lógico e principalmente para os cases, porque esse é o primeiro gate. Quando passei pelos processos seletivos, não havia um CCU e eu não tinha material de qualidade para me preparar. Eu passava nos testes de raciocínio lógico mas acabava eliminado nos cases. Como mesmo entre as grandes há diferenças, sempre que puder, converse com consultores das firmas que você está interessado, entenda como ela se organiza e quais áreas ela atende.

Se você não passar no seu último ano, eu acredito que um trainee também ajuda para começar a ter experiência gerencial relevante.

Também me ajudou muito ler sobre o negócio de consultoria em si, porque como eu disse, com o tempo você será cobrado “to build the business”.


 Entrevista: Redação CCU