Ex-presidente da Azul diz o que falta ao universitário brasileiro

Para Pedro Janot, o jovem deveria olhar para o conteúdo ministrado na faculdade de forma mais estratégica.


Este artigo foi originalmente publicado no portal Exame.

“Como estudante de Engenharia, eu era um aluno nota 5. Quando decidi mudar de curso e fazer Administração, passei a ser um aluno nota 10”, conta Pedro Janot. Hoje um executivo de destaque no mercado brasileiro, conhecido por ter trazido a Zara para o Brasil e sido o primeiro presidente da Azul Linhas Aéreas, quando adolescente ele não tinha ideia de qual profissão escolher. “Naquela época, as opções eram mais restritas, e eu acabei optando por seguir os passos do meu pai, que era engenheiro civil.

Durante a graduação, porém, teve bastante dificuldade. “Para mim, o curso de Engenharia Civil era dificílimo: tinha matérias como Cálculo, Mecânica dos Fluidos, Probabilidade Estatística… Precisei fazer muito esforço para chegar até o quarto ano”, diz. O divisor de águas foi quando fez um curso de verão de Gerência de Marketing. “Descobri que poderia estudar o comportamento do consumidor, e aquilo me enlouqueceu a ponto de eu não me formar em Engenharia e me jogar em Administração.

Para Janot, quando você está cursando o que gosta, o próximo passo é se dedicar muito aos estudos, indo além do que a universidade oferece, e ser pragmático, enxergando aplicabilidade no conteúdo aprendido. “O universitário precisa desenvolver uma visão de futuro e tentar pensar: o que esse somatório de matérias pode agregar à minha carreira lá na frente?” Já para quem está insatisfeito com o curso, ele aconselha insistir enquanto busca saídas. “É preciso se expor para encontrar um caminho novo”, diz.

 

Como tomar melhores decisões de carreira?

Janot diz “O melhor é buscar líderes inspiradores, podem ser em filmes, livros, família e amigos, mas esses líderes mudam com o tempo, e é preciso tirar de cada um deles um conhecimento que te agregue e forme seu verdadeiro objetivo”.

 

De onde vem sua motivação no trabalho?

Para Janot, quando você não executa uma tarefa “sem tesão” essa tarefa não te trará resultados positivos, é preciso buscar atividades que te emocionem e te motivem pois elas te levarão ao sucesso. “Trabalhar tem que ser divertido, tem que ser fácil” ele também relata que é preciso se dedicar ao máximo na sua função, pois é a sua entrega para o cargo que te fará ser reconhecido pelos gestores que estão te avaliando.

 

Por que o otimismo é importante?

O otimismo é uma atitude que faz parte dos vencedores” Janot relata que é necessário orientar seu foco para coisas positivas, deixando de lado todos os pensamentos negativos.

 

Qual é o momento de mudar de emprego?

Entender o porque você não gosta daquele emprego, criar uma espécie de “casca” dentro da empresa, fazer uma análise dos ganhos que você forneceu para a empresa (se gerou lucros, enviou bons relatórios, diminuiu custos, etc.), é preciso provar a causa da sua admissão na empresa, deixando uma imagem positiva para os outros que vão entrar na empresa.

 

O que você valoriza no jovem profissional?

Janot diz que valoriza um jovem “faminto de conhecimento” independente da universidade de formação, isso vale para os jovens que estão em uma faixa de ascensão social. “Prefiro um profissional faminto de crescimento do que um profissional com vários títulos mas sem vontade de crescer”.

 

O que o esporte ensinou para sua carreira?

Em sua adolescência, Janot costumava a velejar de barco com os amigos e essa prática começou a se tornar competitiva, até que participou em campeonatos juniores de vela e isso lhe trouxe uma disciplina de treinamento muito forte. “Essa lição foi primordial que o mar me trouxe”.


Fonte: Exame

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