Escolas de negócios ensinam a lidar com diferentes culturas

A reitora Fiona Devine visitou o país com o objetivo de ampliar a parceria com a FGV em pesquisas e intercâmbio de alunos.


Este artigo foi originalmente publicado no portal Valor Econômico

 

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Fonte: Manchester Business School

A inteligência cultural é a habilidade mais importante atualmente para líderes no mundo corporativo. O assunto, portanto, deve ganhar mais espaço nos currículos de escolas de negócios, ao lado de temas como governança, big data e a influência do contexto social e político na condução das organizações. Essa é a opinião de Fiona Devine, reitora da Manchester Business School, a maior instituição do tipo do Reino Unido. Para ela, garantir que seus alunos sejam capazes de entender e se relacionar com outras culturas é umas das prioridades da instituição.

O desejo por tornar a Manchester mais internacional foi o que trouxe Fiona ao Brasil em Março de 2015. Ela veio discutir a expansão da parceria que a escola já possui com a Fundação Getulio Vargas (FGV), com a qual oferece um programa de MBA global com aulas presenciais e on-line. Acompanhada por uma delegação de cerca de dez docentes da Universidade de Manchester, a reitora incluiu na pauta a possibilidade de colaboração com acadêmicos brasileiros. “É muito importante que nossa relação vá além das aulas e envolva também a pesquisa.”

Temas como marketing, competitividade e inovação são alguns dos tópicos que poderão ser abordados no futuro, assim como o aumento no intercâmbio de alunos da pós e da graduação com a instituição brasileira. “A troca de estudantes é bastante positiva, pois cria redes internacionais que podem ajudá-los a avançar na carreira depois que eles se formam.”

Em setembro, a escola de negócios de Manchester vai adotar o sobrenome de seu maior doador, David Alliance, e se renomear Alliance Manchester Business School. Atualmente, a instituição reúne mais de 130 nacionalidades entre seus cerca de cinco mil alunos. Aturma de MBA é formada, em grande maioria, por alunos estrangeiros - 23% dos quais são da América Latina. “É muito importante para nós ter diversidade na sala de aula, pois as escolas de negócios precisam preparar os profissionais para serem cidadãos globais, que poderão atuar nos mais diversos cenários”, diz Fiona.

Para a reitora, a exposição a esse conjunto de diferenças ajuda a entender normas, práticas legais e expectativas de outras culturas. “Hoje, ter vantagem competitiva requer colaboração e compartilhamento de informações. A capacidade de se comunicar - seja com colegas ou competidores - é crítica para tornar empresas mais produtivas”, diz a reitora.

Aspectos culturais, no entanto, são apenas uma fração do amplo corpo de conhecimento desenvolvido por escolas de negócios hoje. Fiona assumiu o comando da Manchester Business School há um ano e meio, após uma longa carreira acadêmica em ciência política e sociologia - na sua opinião, áreas essenciais para compreender o contexto em que os negócios operam. “Há um ambiente social e político que acompanha o cenário econômico no qual as empresas atuam”, diz. A combinação desses estudos é ideal para entender o que move a sociedade, as companhias e os indivíduos. Segundo ela, essa abordagem floresce na na natureza interdisciplinar das escolas de negócios.

“Um sociólogo pode se interessar pela dimensão de trabalho e emprego, falta de talentos ou se as pessoas recebem educação adequada para acompanhar a evolução da tecnologia. Já a ciência política traz um contexto que é essencial para entender a estrutura governamental e de regulação de uma economia”, ressalta.

O próprio currículo das escolas de negócios precisa, cada vez mais, incluir as transformações pelas quais o mundo passa. As crises financeiras, por exemplo, trouxeram a necessidade de abordar temas de governança corporativa e responsabilidade social. “São assuntos pelos quais as pessoas se interessam, o que gera a necessidade de refletirmos sobre como ensinamos essas questões para alunos em todos os níveis”, diz.

Ela prevê que os currículos abram espaço nos próximos anos para questões relacionadas a tecnologia, como uso de big data no desenvolvimento de estratégia e atividades operacionais, além de práticas de segurança de dados. Também será preciso analisar com mais profundidade a inovação que desponta em momentos de recessão - assim como as lições que podem ser aprendidas e implementadas em qualquer cenário econômico. Por fim, a reitora cita a revisão de processos e a inclusão de preocupações de sustentabilidade em todos os aspectos dos negócios.

Na discussão dessas tendências, Fiona se diz interessada na contribuição de países emergentes. “É fácil ouvir apenas o que o Reino Unido está falando sobre o resto do mundo, mas as vezes é muito interessante observar as discussões que acontecem diretamente entre países como a China e o Brasil”, diz.


Fonte: Valor Econômico

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