Consultorias precisam de mais mulheres no topo

Nos últimos anos, a indústria de consultoria de gestão tem visto uma lenta, mas constante melhoria na sua diversidade feminina, com o número de mulheres em altos cargos em ascensão. No entanto, de acordo com Fiona Czerniawska, fundadora da Source Information Services e Sandra Guzman, diretora da nbi, uma consultoria internacional de capital humano, a indústria ainda tem um longo caminho a percorrer no que se refere à liderança feminina. Neste artigo elas refletem sobre por que algumas mulheres não é suficiente.


Este artigo foi originalmente publicado no portal Consultancy.uk.

Eu tive um momento meio “road-to-Damascus” recentemente, conversando com algumas mulheres de altos cargos e partners de uma das Big Four. Percebemos juntas que enquanto a proporção de mulheres partners se manteve baixa, essas partners tendiam a ter uma porcentagem maior de mulheres trabalhando para elas. Mulheres, ao que parece, atraem outras mulheres.

 

E esse é um ponto que aparece também numa pesquisa recente do Source Information Services em parceria com a nbi, uma empresa de consultoria de capital humano. Juntos nós entrevistamos 40 sêniors de empresas líderes de consultoria em todo o mundo. Uma partner na Austrália descreveu como seu início de carreira envolveu várias ocasiões em que teve que escolher entre seus relacionamentos e seu trabalho (ela escolheu o último). Eventualmente casada e com filhos pequenos, ela se viu trabalhando para uma partner mulher juntamente com outras mulheres que também faziam malabarismo entre sua casa e vida empresarial. “A partner não tinha a melhor reputação internamente, então foi ela quem nos procurou, em vez de escolhermos trabalhar com ela. Mas ela criou, na minha experiência, um ambiente de apoio único em que todos nós nos ajudávamos.”

Ninguém precisava se sentir mal quando tinha uma questão familiar para resolver; todas trabalhavam juntas. Outra entrevista fez um ponto semelhante: “Se uma mulher sênior está trabalhando em tempo parcial, isso é extremamente relevante para fazer com que as mulheres se sintam apoiadas. Um trabalho flexível é muito importante para mulheres, e eu posso fazer isso, eu posso ajudar com conselhos e eu sou um exemplo.”

Mais mulheres no topo significam mais mulheres abaixo também, porque mulheres que se sentem parte de uma equipe de apoio são menos propensas a sair quando começam malabarismos entre trabalho e família. Crucialmente, elas também estão trabalhando ao lado de pessoas que reconhecem que trabalho não vem em primeiro lugar: “Eu não tenho que vender minha alma”, foi a forma que uma mulher colocou.

Isso é importante porque a nossa pesquisa descobriu que 9 entre 10 clientes de empresas de consultoria prefeririam ver mais mulheres em equipes tradicionalmente dominadas por homens. Dois terços deles dizem que, se eles tivessem que escolher entre duas equipes de consultoria e todos os outros fatores fossem iguais, eles quase sempre ou sempre contratariam aquele com mais mulheres. Equipes de consultoria que têm uma melhor proporção de mulheres são vistas pelos clientes como capazes de entregar soluções de melhor qualidade, relevantes não só para a própria organização do cliente, como também para o cliente final dessas organizações. Mulheres, em outras palavras, são notáveis para ajudar equipes de consultoria a pensar de uma maneira mais lateral e considerar o longo prazo. Elas também parecem ser mais rápidas no desenvolvimento de relacionamentos, são coaches mais bem dotadas, geralmente mais eficientes e melhores em ganhar confiança.

No entanto, dentre as pessoas com quem conversamos na nossa última pesquisa, apenas uma em dez pensava que havia uma massa crítica suficiente de mulheres no topo de suas organizações - certamente não o suficiente para atrair as mulheres abaixo delas, para manter as mulheres que poderiam ser tentadas a sair (e dois terços dos nossos entrevistados dizem que consultoria continua a ser uma profissão difícil para mulheres trabalharem). “Recentemente, conferência de partners, a equipe de suporte assumiu que eu era uma secretária, porque praticamente todos os partners eram homens,” disse uma partner.

Mais positivamente, muitas de nossas entrevistadas sentem que hoje há menos pressão sobre as mulheres que chegam ao topo a seguirem o modelo de comportamento masculino. “Quando eu comecei minha carreira como consultora, as poucas mulheres em altos cargos tinham um comportamento extremamente dominante,” disse uma delas. “Existem [agora] muitos outros modelos de como pessoas podem ser efetivas e influentes sem ser alguém que está falando o tempo todo ou é super central em discussões.”

Com a proporção de graduandos entrando na indústria de consultoria agora mais equilibrada entre os gêneros, o próximo desafio é se certificar de que a proporção de mulheres em altos cargos suba substancialmente. Resolver esse problema vai, segundo nossa pesquisa, ser um longo caminho para garantir que as empresas mantenham suas consultoras de alto calibre em todos os níveis - e manter seus clientes felizes também.


Fonte: Consultancy.uk

http://www.consultancy.uk/news/2597/management-consulting-needs-more-women-at-the-top