Afinal, o Que Faz um Consultor?

Ex-aluno da Unicamp e hoje Partner e Managing Director no BCG (Boston Consulting Group), Daniel Azevedo explica como são as etapas gerais de um projeto de consultoria estratégica e as competências importantes para seguir essa carreira com sucesso.


Este artigo foi originalmente publicado no portal Linkedin.

Fonte: Linkedin

As possíveis atribuições de um consultor são tão numerosas e variadas que aquele que conseguir explicar o que faz para a própria mãe merece um prêmio! Podendo atuar em áreas que vão do setor público ao industrial ou de serviços, a essência de um consultor estratégico é apoiar empresas a resolverem problemas complexos ou explorar novas oportunidades e apoiar as ações que gerem impacto relevante. Em sua essência, consultoria atua com um modelo de negócios construído sobre a vontade de buscar respostas. E a pergunta que mais costumamos ouvir é: e como é o seu dia a dia?

Uma resposta comum é que não existe um padrão, mas, para trazer alguma luz para esta pergunta, podemos utilizar um projeto como exemplo: a expansão internacional de uma empresa brasileira. Começamos sempre articulando qual a lógica ou racional da expansão, identificando quais competências e vantagens competitivas da empresa devem ser alavancadas, capturamos a visão de demanda e oferta para os produtos/serviços e priorizamos os caminhos respondendo às perguntas clássicas "where to play?" e "how to win?". Ainda buscamos respostas sobre o que deve ser feito primeiro, parcerias que poderiam ser estabelecidas e, na sequência, embarcamos na execução junto com o cliente . Assim, um consultor estrutura um problema, traça estratégias e apoia a execução, gerando um impacto relevante para o negócio.

Nesse processo tipicamente começamos realizando entrevistas com uma ampla rede global de especialistas e também com diferentes níveis da organização do cliente. Com base nisso, alavancamos as metodologias do BCG, estruturamos as nossas hipóteses de solução e avançamos com análises quantitativas, como por exemplo mapeando desempenho no mercado ou modelando um plano de negócio; ou qualitativas, quando fazemos visitas a mercados ou avaliamos possíveis modelos de entrada e suas implicações. Ao longo de todo o processo, o debate rico e profundo entre todos integrantes do time é essencial – onde o que vale é a hierarquia de ideias, não de senioridade. Com isso, conseguimos confirmar (ou não) as nossas hipóteses inicias sempre em constante contato com os clientes. Por fim, muitas vezes ajudamos na implementação e no rigor do acompanhamento das ações para assegurar o impacto planejado.

Uma outra importante característica da carreira de consultor é a variedade de temas trabalhados e, por isso, precisamos de uma amplitude muito grande de talentos. Aqui, no The Boston Consulting Group, temos muitos profissionais vindos das formações mais clássicas do ramo, como Engenharia, Administração e Economia - mas nos orgulhamos de também ter pessoas formadas em Biologia, Artes, Letras, entre tantos outros. Neste mercado, a diversidade é fundamental.

O que realmente importa são as competências para trilhar uma carreira de sucesso como consultor. No processo de identificar novos talentos, buscamos um raciocínio lógico capaz de estruturar e resolver problemas, habilidades de comunicação e colaboração e, fundamentalmente atitude – que considero o grande diferencial para se destacar e ascender. A vontade de superar expectativas, dar um passo além e se desafiar é o que verdadeiramente define o sucesso de longo prazo de um consultor.

O mercado de trabalho para consultores estratégicos possui certa resiliência a crises econômicas, políticas, globais e locais. A natureza dos projetos muda de acordo com o cenário macro, mas as empresas continuam tendo desafios e oportunidades e precisando de profissionais para ajudá-las a resolvê-los. Por isso, continuamos crescendo e buscando novos talentos, mesmo em tempos difíceis.

Para ingressar na carreira existem três caminhos: a contratação de profissionais que já estão no mercado de trabalho, como aconteceu comigo em 2010, quando comecei no BCG como Gerente de projetos. Também é possível que ela ocorra logo após um MBA. Por fim, para os cargos de entry level (estagiários e associates), a contratação acontece por meio de dois ciclos estruturados a cada semestre, focando em estudantes e recém-formados. Esse último grupo passa por um processo bastante concorrido que acontece em diversas cidades do país, em um recrutamento que é uma combinação de prova e uma entrevista de caso. É neste momento em que a preparação faz toda a diferença. O próprio BCG oferece conteúdo para que todos possam se preparar: realizamos alguns eventos para desmistificar as etapas do processo seletivo, além de oferecer simulados da prova e do formato de entrevista.

Assim como fazemos para nossos clientes, também criamos estratégias de crescimento de longo prazo para os ‘BCGers’, a fim de garantir o desenvolvimento de cada um dos nossos consultores e o crescimento sustentável de nossa companhia. No final do dia, as atribuições, diversidades de projetos e conhecimento adquirido pelo consultor aqui no BCG não serão apenas importante para ele, mas também para o impacto gerado para a sociedade e o ambiente de negócios.


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