Ian Matiussi

Data da entrevista: Abril/2017

LinkedIn: https://goo.gl/j24JCt

Ian Matiussi - Integration Consulting

Ian Matiussi é um engenheiro mecânico formado pela Unicamp em 2010 e que entrou na Integration como intern, onde está até hoje no cargo de consultant. Veja um pouco da história dele e ver como é a carreira de consultoria e as particularidades da Integration.

Formação: Engenharia Mecânica - Unicamp (2006 - 2010)

Empresa: Integration Consulting (2010 - Até o momento)

Cargo Atual: Consultant

 

CCU: Como foi a sua experiência de graduação, quais foram as atividades das quais você participou?

Ian: Eu fiz parte de duas atividades extracurriculares na Unicamp, Iniciação Científica e a AEISEC. A iniciação científica eu fiz no começo da graduação, mas não foi algo que me ajudou muito a entrar em consultoria por que não tinha muito a ver e não desenvolveu habilidades que fossem necessárias para esse tipo de trabalho. Mas já na AEISEC não, fiquei lá do segundo semestre de 2007 até o segundo semestre de 2009. A AEISEC não é uma entidade que existe mais na Unicamp, mas o propósito dela é basicamente promover intercâmbios para estudantes da graduação. Foi nessa entidade que desenvolvi as habilidades que me ajudaram muito a entrar em consultoria, principalmente em relação à bagagem analítica e relações interpessoais. Foi na AEISEC que me interessei por consultoria, ao participar da organização de alguns eventos que estava no escopo da AEISEC acabei conhecendo pessoas que foram da AEISEC e depois entraram em consultoria e ao conversar e interagir com essas pessoas, acabei me interessando pela carreira. A minha preparação consistiu em fazer e estudar cases com pessoas que também estavam interessadas em consultoria, além de sempre buscar conhecer mais sobre as empresas e carreira como um todo.

 

CCU: Quais são as peculiaridades da Integration?

Ian: Ela é uma consultoria brasileira, a Integration foi criada em 1995, ou seja, tem uns 22 anos. A Integration é uma das primeiras empresas de consultoria estratégica a se tornar multinacional, com uma presença relevante na América Latina e Europa. Hoje a Integration tem escritórios no Brasil (São Paulo e Rio de Janeiro), no México e na Europa (Londres e Munique). Ou seja, é uma empresa que já cresceu bastante. E hoje em termos de consultores no Brasil temos um porte semelhante aos concorrentes em consultoria estratégica multinacionais.

A Integration não é estruturada por indústria, e sim por por funções de negócio. Então o que que é isso? Quando você entra na Integration como estagiário, você não entra como um Business Analyst normal que segue qualquer tipo de projeto, mas você já entra alocado em uma das quatro funções que existem. Existe a função de Market & Sales, que é a parte de vendas; tem a parte de Suply Chain que é a parte de Operações; a parte de Implementação e a parte de finanças e gestão. Eu, por exemplo sou consultor de Marketing & Sales, então os projetos que eu faço só são nesse tema e a gente trabalha com várias indústrias então a gente faz os projetos em diversas indústrias diferentes, isso é a parte legal da Integration que você não fica restrito a uma indústria, você fica mais restrito a uma área de conhecimento, você se envolve naquela área aí você tem essa visão com as indústrias.

Na parte de como fazer projetos, a Integration é bastante diferente das outras consultorias.  A Integration tem uma visão muito forte do que um profissional precisa para se desenvolver. Por exemplo, a gente não acredita em um modelo único de consultor. A gente tem uma consciência forte que cada pessoa tem uma qualidade, claro existem as competências mínimas para trabalhar em consultoria, mas cada um tem uma qualidade e a gente se importa muito com isso. Na Integration você vai ter uma visão de quais são seus pontos fortes e a própria empresa vai se estruturar para você usar esses pontos fortes, vai se voltar para você utilizar e potencializar esses pontos fortes. Na Integration você tem uma ferramenta que você direciona o que você quer pra sua carreira, você pode, por exemplo, querer fazer um projeto fora do Brasil e na medida do possível isso vai ser respeitado, isso é bem legal. É um diferencial bem forte da Integration ter essa visão do funcionário um pouco mais forte do que ele precisa de fato para se desenvolver, uma visão única.

 

CCU: Como é a sua rotina e como ela vem mudando desde que você entrou na Integration?

Ian: Não tem rotina, para ser sincero. Eu estou há 7 anos na Integration, então faz bastante tempo que estou lá e essa rotina mudou bastante com o tempo.

Quando você é estagiário você não sabe nada de business, você não conhece praticamente nada com relação ao mundo de consultoria. Então inicialmente o estagiário na Integration é alocado para um projeto e sempre junto com o seu tutor, que é uma pessoa bastante sênior, que vai te ensinar e vai estar próximo de você naqueles primeiros meses de estágio. Como estagiário, sua função no projeto é bem parecida com a função de um analista, um analista em um projeto é um cara responsável por entrega de análise. Imagina que vou ter um consultor no projeto que é o líder que fica no dia-a-dia do projeto, que geralmente é quem vai dar as diretrizes, vai estruturar o que é o projeto. Na equipe desse líder você vai ter analistas e estagiários que vão ser responsáveis por fazerem as análises. Na parte de análise você vai ter que fazer entrevista com cliente, vai ter que fazer entrevista de campo, você vai falar com gente do mercado, você vai entrevistar diretor, presidente, comprador de acordo com o que o seu projeto necessita. Geralmente um estagiário vai pegar análises menores, um pouco mais simples. A gente respeita muito esse ponto de ser dono de alguma coisa, então ele vai ser dono de um pedaço um pouquinho menor de uma análise, isso como estagiário. Você fica lá seus seis meses, um ano.

Quando você vira analista, quando você é efetivado, aí sua função na verdade não muda, mas seu escopo começa a mudar um pouco. Você vai começar a pegar análises um pouco mais complexas, em vez de você pegar uma análise específica, você pega uma frente de projeto. Então imagina que você começa um projeto que se estrutura em 3 e 4 frentes, pode ser que você como analista pegue uma frente inteira. O analista conforme ele vai ficando mais sênior ele vai aumentando o escopo de atuação dele, ele vai tendo cada vez mais coisas mais complexas, sendo responsável por parte mais importantes do projeto até que ele vire um consultor, depois de uns três anos mais ou menos. O consultor é o cara que é responsável pelo projeto em si, e vai ter uma equipe de analistas a cargo dele no dia-a-dia do projeto, esse é o cara que vai direcionar equipe, vai atuar na formação dos membros. O consultor já tem uma atuação um pouco mais marcante no projeto, ele entrega a análise, ele vai ser responsável pela entrega geral do projeto, ele já vai ter uma exposição maior com o cliente, é ele quem vai direcionar as apresentações, ele já gera impacto no cliente, então ele já pode ser especialista em algum tipo de metodologia e passar isso para o cliente, então ele vai ser visto como uma entidade sênior do projeto. Basicamente, esse foi o meu histórico.

 

CCU:Quanto ao seu futuro profissional?

Ian: O que eu acho é que consultoria te dá uma bagagem muito grande para o que você quiser fazer, eu já tive projetos de dez a quinze indústrias, então eu tenho um leque de conhecimento com relação a business muito grande, eu já fui conectado a várias realidades, tive oportunidade de fazer projetos em diversos países, então isso também te dá uma bagagem multicultural. Você conseguir conectar problemas de negócios não só da consultoria, mas de diferentes contextos, diferentes indústrias, isso é bem legal. Então a bagagem que você tem quando você é um consultor e fica muito tempo em consultoria é muito grande.

 

CCU: Sugestão ou dica para quem quer seguir carreira em consultoria?

Ian: Um ponto a analisar é o  perfil da consultoria : todas acabam fazendo projetos muito parecidos, todas atuam em projetos estratégicos de atuação global, isso não varia muito, mas o tipo de empresa, se é uma empresa um pouco mais agressiva se é uma empresa que se preocupa mais com o funcionário, isso é um negócio bastante importante porque vai te dar o contexto para ver se você enquanto pessoa vai se  encaixar naquele contexto de consultoria. Você pode pensar que vai entrar em consultoria, vai trabalhar bastante, vai trabalhar 16 horas por dia, de repente isso afasta a pessoa porque acha que consultoria é só isso e não é, tem vários contextos diferentes, tem consultorias que priorizam mais funcionários, tem consultoria que prioriza menos, que tem um turn-over alto, que são lugares que não conseguem manter um cara por mais de dois, três anos porque é muito ruim trabalhar lá. Esse ponto de perfil é super importante para garantir que você vai se enquadrar e de fato ser feliz no trabalho, pois costuma ser bastante puxado.


Entrevista: Redação CCU

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